Foto: Robson Repórter
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A missa do trabalhador que tradicionalmente acontecia no dia 1º de maio, em Contagem, esse ano, não foi realizada na praça da Cemig por conta do covid-19. Mas o espaço deu lugar a um protesto emblemático contra a fome e o genocídio.
O protesto chamou a atenção pela criatividade, e principalmente, pelo respeito ao distanciamento e às medidas de segurança capazes de evitar a disseminação do vírus.
A ação fez o uso de pratos de alumínio, vazios, anteriormente usados na obra de arte ‘O Sacrifício’, em 1999, pelo artista plástico Severino Iabá, justamente na abertura da Missa do Trabalhador, na Praça da Cemig, em Contagem. Na época, o protesto também denunciava a miséria do povo brasileiro.
Segundo Severino Iabá, também idealizador do protesto “O Genocídio”, o discurso negacionista e antidemocrático viralizado durante a pandemia, trouxe consequências gravíssimas, a morte de mais de quatrocentas mil pessoas e a fome para milhões de famílias brasileiras.
“Os pratos voltam às ruas para apontar o principal responsável por esse extermínio do povo brasileiro. Fica uma pergunta: Até quando vamos permitir que a política arma do atual governo federal continue levando ao nosso povo a miséria e ao extermínio?”, perguntou Iabá.
Cada participante da encenação carregou vários pratos com mensagens como: A fome, 400 mortos, o vírus, o medo, o jacaré, a negação, a guerra, a boiada e cloroquina.
Apresentando as mensagens, o mantra “Fome Pandemica” foi cantado por todos:
Fome pandêmica
Uma política arma ( Bis)
Para atirar em quem?
Para matar mais quem? (Bis)
Fome pandêmica
Uma política arma ( Bis)
Para enganar quem?
Para golpear mais quem? (Bis)
Fome pandêmica
Uma política arma.(Bis)
Para enforcar quem?
Para degolar mais quem? (Bis)
A música do cantor e compositor Jorge Dissonância que foi criada para o protesto, conta que a pandemia do covid-19 continua matando como arma, assim como a política do governo federal.
O professor e cantador, Alberto Araújo Buxexa, ressaltou que vidas importam e exigiu que o governo se posicione. “São milhões de trabalhadores em dificuldades, professores correndo atrás de cestas básicas porque foram dispensados e não conseguem recolocação. Por isso, vidas importam, empregos importam, vacina no braço e comida no prato”, enfatizou o professor.
A também professora e ativista social, Adriana Souza, participou da encenação e organizou mais uma carreata “Fora Bolsonaro”. Ela disse que vivemos um momento muito difícil, um verdadeiro genocídio.
“Precisamos conscientizar a população que não precisamos passar por essa tragédia. Se o governo federal tivesse comprado as vacinas no ano passado, como outros países fizeram, não teríamos mais de 400 mil mortes. O presidente terá que responder na CPI da covid-19 pelo crime de genocído e será responsabilizado”, protestou.
Adriana completou dizendo que a fome voltou a fazer parte da realidade das famílias brasileiras e que é fundamental a volta do auxílio emergencial de 600 reais até o final da pandemia.
No final do protesto, uma coroa de flores com a descrição “O Genocídio” foi colocado na cruz formada pelos pratos que simbolizam a fome do povo brasileiro. A cruz ficou exposta até o final da manhã, à disposição para todos refletirem, fotografarem e divulgarem o resultado do protesto nas redes sociais.