Nos últimos dias, os moradores do entorno da Escola Estadual Helena Guerra, no bairro Eldorado, em Contagem, assistiram indignados à derrubada de dezenas de árvores que durante décadas fizeram parte da vida da população local.
As árvores serviam para ajudar a purificar o ar na região e principalmente serviam de abrigo para centenas de aves de várias espécies, que também se alimentavam e faziam ninhos nos galhos. Araras, tucanos, gaviões, urubus e vários passarinhos foram despejados pelas motosserras.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - Semad foi acionada pela reportagem na quinta-feira (11) e uma equipe de fiscalização compareceu no local. Os fiscais verificaram a documentação em menos de vinte minutos e saíram sem dar entrevista.

Segundo a Semad, a supressão de quase cinquenta árvores foi autorizada para a construção de um empreendimento imobiliário aprovado pelo poder público local. O órgão afirmou que no momento da supressão, não tinha nenhuma ave nas árvores.
“Geralmente em casos como esses, os próprios animais abandonam o local, ocorre o afugentamento das aves. Caso isso não ocorra, o empreendedor é orientado a fazer o recolhimento do ninho e colocar em árvores próximas ao local”, explicou.
Ainda segundo a Semad, foi assinado um termo de compromisso para a compensação ambiental. A empresa ficará a cargo das revitalizações de áreas públicas, localizadas próximas ao empreendimento, com plantios de reposição.

A Prefeitura de Contagem informou que foram exigidas contrapartidas para a construção das torres residenciais naquele ponto do bairro Eldorado.
A Subsecretaria de Licenciamento e Fiscalização Urbana, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação - SMDUH, informou que a construtora recebeu as Diretrizes para Empreendimento de Impacto emitidas pelo Grupo Técnico Multidisciplinar - GTM, em dezembro de 2020.
As medidas mitigadoras e compensatórias definidas para o empreendimento foram:
- Melhorias no caminhamento de pedestres, sinalização viária e pontos de embarque e desembarque do entorno;
- Melhorias na região do empreendimento por meio da revitalização dos becos denominados "Passagem Embiras" e "Passagem Jardins";
- Aplicação de compensação financeira nos termos do decreto 313/2014, a ser destinada prioritariamente para melhorias nas áreas de saúde e educação.

Segundo a Prefeitura de Contagem, no lugar das árvores suprimidas que serviam de habitat para os animais serão construídas 224 unidades habitacionais.
Os moradores da região afirmam que a construção das várias torres causarão impactos ambientais irreversíveis, isso porque os prédios tendem a impedir a livre circulação do ar na região como aconteceu no Condomínio Oásis, empreendimento construído perto do bairro JK que causou poluição visual, sonora e acabou com a brisa que soprava antes da construção das torres no local.

Um dos moradores da região irritado com a situação, pede para as pessoas “evitarem comprar imóveis construídos em áreas que deveriam ser preservadas, mas foram vítimas de crimes ambientais”, disse o vizinho da obra que pediu para não ser identificado.
As torres serão construídas no espaço que fica na rua Margherita Fontanaresa, no bairro Eldorado, em Contagem, onde funcionava o Projeto Dom Bosco, em frente a praça.
