Data de publicação: 04-04-2025 19:26:00 - Última alteração: 04-04-2025 19:38:40

Audiência Pública discute a volta do trem de passageiros na RMBH

Centro de Integração Empresa Escola de Minas Gerais -  CIEE
Fotos: Robson Rodrigues

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A luta pela volta do trem de passageiros metropolitano ganhou força na quarta-feira (2/4), durante a audiência pública realizada na Câmara Municipal de Contagem, a pedido da vereadora Adriana Souza (PT).

Moradores de Contagem e da Região Metropolitana de Belo Horizonte - RMBH, exigem volta do trem de passageiros que seria uma reparação histórica, já que o transporte ferroviário de passageiros foi desativado há mais de 30 anos

O debate reuniu representantes do Governo Federal, especialistas, movimentos sociais e parlamentares de Contagem, Belo Horizonte, Santa Luzia e Ribeirão das Neves, todos empenhados na reativação do do trem de passageiros metropolitano

A reivindicação acontece às vésperas do fim da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), administrada pela VLI Multimodal S.A., prevista para 2026. A empresa luta para renovar a concessão antecipadamente por mais 30 anos.

Mas o movimento que defende a retomada do transporte ferroviário de passageiros como contrapartida à renovação da concessão. A sociedade civil organizada enxerga uma oportunidade de pressionar por mudanças que possam ajudar a melhorar a mobilidade urbana na grande BH.


Vereador de Belo Horizonte Helton Junior (PSD)

Transporte extinto e impactos sociais

A representante do coletivo SOS Vargem das Flores e responsável pelo início do Movimento Pela Volta do Trem de Passageiros na RMBH, Cristina Oliveira, criticou os impactos negativos da concessão da ferrovia no passado. 

Segundo ela, a extinção do transporte ferroviário de passageiros para dar lugar ao transporte de minério, ampliou a exclusão social, aumentou a poluição e agravou os congestionamentos, já que nos últimos 30 anos a única opção foi o transporte rodoviário.

"A volta do trem de passageiros será uma reparação histórica. Perdemos esse direito com a concessão às mineradoras, que não investiu no transporte de passageiros e impôs longas jornadas de deslocamento que prejudicou a mobilidade da população", afirmou.

Cristina Oliveira disse que o movimento começou pela volta dos trens de passageiros na região metropolitana, mas já ganhou força e a ideia é pleitear a volta do modal de transporte em todo o Estado e também em todo país.

 
Representante do SOS Vargem das Flores e responsável pelo "Movimento Pela Volta do Trem de Passageiros na RMBH", Cristina Oliveira

Poder público

Já a vereadora de Contagem, Adriana Souza (PT), destacou que o retorno do trem beneficiaria principalmente trabalhadores que enfrentam ônibus lotados em longas distâncias diariamente, pagando tarifas caras.

"A volta do trem de passageiros será um impacto econômico positivo para a população, pois o transporte ferroviário é mais barato e rápido. Isso pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, que terão mais tempo para as famílias e menos estresse no trânsito", argumentou a parlamentar que convocou a audiência pública.


Já o vereador de Santa Luzia, Glaucon Durães (PT), ressaltou que 51% da população economicamente ativa do município se desloca diariamente para trabalhar em outras cidades da Região Metropolitana. Ele apontou ainda que o sistema rodoviário já não suporta a demanda.

O Analista de Infraestrutura do Ministério das Cidades, o engenheiro civil Leandro Andrade Martins, que atua no planejamento de políticas públicas e de transporte do Governo Federal, disse que está em andamento estudos de viabilidade para voltar com os trens de passageiros nas linhas BH a Divinópolis, passando por Contagem, Betim e Itaúna.

“Considero legítima o pleito da sociedade civil de lutar pela volta dos trens de passageiros. Já estudamos e trabalhamos para viabilizar o transporte de passageiros por trens e acredito que a gestão deve ser compartilhada, o Governo Federal investe, o Estado opera o sistema e os municípios cuidam das estações”, disse o representante do Governo Federal.


Manifesto e principais reivindicações

Durante a audiência, os integrantes do movimento apresentaram um manifesto com duas principais exigências:

- Cancelar a renovação automática da concessão da FCA, para garantir que a sociedade civil participe da decisão sobre a destinação da ferrovia e que as linhas voltem a ser usadas para transporte de passageiros;

- Criar o Fundo Nacional Ferroviário, financiado com recursos das concessionárias, para garantir investimentos contínuos no transporte ferroviário de passageiros;

Segundo a vereadora Adriana Souza, a proposta será levada ao Governo Federal e a outras instâncias responsáveis pelo transporte ferroviário no país. 

Para a vereadora e para os defensores da causa, a reativação do trem representa não apenas mobilidade, mas justiça social e qualidade de vida para milhares de moradores da Grande BH.

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