Foto: Roberto Stuckert
A visita de Dilma à Casa Branca esta semana é recheada de discussões diplomáticas. Contratos não cumpridos pelos americanos e questão iraniana causam divergências entre os dois governos.
Dilma Rousseff adota um discurso direto na conversa com o presidente Barack Obama nos assuntos tratados pelos estadistas.
A presidente brasileira acusou os Estados Unidos de não cumprirem contratos. A reclamação surgiu depois de o governo americano suspender a compra de 20 aviões Super Tucano da Embraer para a Força Área Americana. A justificativa dos norte americanos foi que a documentação da transação era insatisfatória.
A pressão do congresso americano para cancelar o negócio foi em razão da fabricante Hawker Beechcraft, baseada no estado do Kansas, ter entrado com ação na Justiça do país após sua aeronave, a AT-6, ser excluída da competição vencida pela Embraer. O valor da operação cancelada foi de U$ 355 milhões.
A crítica de Dilma também esbarrou na polêmica de outra venda dos aviões em 2006 para a Venezuela. Na época, o governo Bush exigiu que o Brasil não vendesse os aviões para o país de Chaves. Se a negociação ocorresse, os Estados Unidos suspenderiam o envio de componentes aeronáuticos para a Embraer, que construiu os aviões. Novamente o prejuízo foi milionário, U$ 470 milhões.
Toma lá dá cá
O contrato cancelado pelos americanos em 2011 não os ajuda muito quando a operação é inversa. Em 2009, ainda no governo Lula, o Brasil entrou em negociata para renovar a Força Área Brasileira. O Brasil analisava as propostas de três empresas para a compra de aviões de combate: Saab da Suécia, Dassault da França e Boeing do Estados Unidos.
Lula deixou o governo sem efetuar a compra. A negociação se encontra estagnada, mas o Brasil desde o começo do negocio se inclina para compra das aeronaves francesas. Se Brasil e EUA não apararem as arestas é provável que os F-18 da Boeing passem bem longe daqui.
Programa nuclear iraniano
O Irã tem um programa nuclear quem foi retomado em 1995 com ajuda dos russos. Os EUA acusam o país islâmico de tentar desenvolver armas de destruição em massa e levaram o caso à ONU.
O Brasil se posicionou à favor do programa iraniano, reconhecendo-o com fins pacíficos. A convergência entre os dois países tomam lugar de outras discussões e travam o avanço diplomático entre Brasil e EUA.
Educação e comércio
Até o ano passado, o Brasil era o maior parceiro comercial dos EUA, mas agora é a China o principal destino das exportações brasileiras.
Obama quer recobrar o espaço perdido para os asiáticos no mercado brasileiro, ele e Dilma desejam retomar o comércio bilateral. Os EUA também têm interesses no potencial energético do Brasil, devido a alta dos preços da gasolina que incomoda os americanos.
O crescimento da economia brasileira detonou gargalos na capacitação técnica dos profissionais. Para que o país aproveite a oportunidade, o governo Dilma pretende treinar cérebros que tragam conhecimento para o país.
Para não perder mais tempo, Brasília se propõe a enviar 100 mil estudantes de graduação e pós-graduação às 50 melhores universidades do mundo e pelo menos 20% deles irão aos EUA.