Data de publicação: 29-01-2013 00:00:00

Estudante gaúcha escapa por sorte do incêndio em Santa Maria

Foto - Sallyanne Jaques

FOTOS DA CAMINHADA

Sallyanne Jaques, de 22 anos, mora na cidade e havia combinado com amigos de ir à boate Kiss. Na última hora houve uma mudança de planos, os amigos foram para outras festas e todos sobreviveram.

Segundo a estudante a boate kiss era uma das casas noturnas da cidade que ela mais frequentava. “Eu ia à boate Kiss pelo menos uma vez na semana e no último sábado o meu destino seria o mesmo”, conta.

Sallyanne foi jantar na casa de uma amiga que fazia aniversário e combinou com os amigos de se encontrar para ir à boate. Mas os amigos resolveram ir a outra festa e não conseguiram fazer contato com Sallyanne.

“Por algum motivo, talvez um aviso de Deus, eles não retornaram as minhas mensagens e nem atenderam as minhas ligações. Com isso resolvi ficar na casa da minha amiga”, explica.

Uma amiga da mãe da estudante passou em frente da boate no momento do incêndio, se desesperou e começou a ligar para todos em busca de notícias, inclusive para a mãe de Sallyanne.

“Minha amiga que mora comigo e minha mãe me ligaram insistentemente, mas só atendi por volta das 4hs30min da manhã, foi quando fiquei sabendo da tragédia. Fiquei chocada, sem palavras, sem ação. Comecei a ligar para todo mundo, sem saber o que fazer e por onde começar. Liguei para todos os meus amigos que estariam na boate para saber como eles estavam e onde estavam”, relatou.

A festa

No início da noite, Sallyanne recorreu ao Facebook para verificar na página da boate Kiss informações sobre a festa “Agromerados” que aconteceu no sábado (26).

“Queria saber quem tinha confirmado a presença na festa, a página funcionava normalmente. Mas quando fiquei sabendo da tragédia, entrei novamente no Facebook em busca de notícias dos meus amigos e vi que a página havia sido excluída”, disse.

Sallyanne ficou ligando para os amigos e conhecidos que poderiam estar na boate. “Pelo celular, MSN, Facebook, fui perguntando por todos e acompanhando as notícias pela rádio gaúcha que estava ao vivo”.

Clima de comoção

Conforme a estudante, a cidade está um caos, todos estão desolados. Onde se passa o silêncio anuncia a tragédia. As pessoas estão de cabeças baixas e o choro está por todo lado.

“Não tem explicação o que estamos vivenciando. Praticamente todos perderam alguém próximo ou tem um conhecido que perdeu alguém. Como a cidade é universitária, todos se conhecem, por nome, de vista, de baladas, de passar no calçadão nos finais de semana ou de tomar um mate”.

A estudante diz que está complicado acordar pela manhã e sair para trabalhar. Nessa terça-feira (29) ainda haviam lojas fechadas por motivo de luto. “Todos choram, é muita tristeza”.

Caminha da Paz e do Luto

Duas caminhadas foram organizadas pelas redes sociais que se unificaram pela mesma causa. Todos de branco, com cartazes, fotos, balões, lanternas e celulares.

A caminhada passou em frente da boate e seguiu em direção ao CDM (Centro Desportivo Municipal) local onde os corpos das vítimas foram levados para o reconhecimento e para serem velados.

Cerca de 35 mil pessoas participaram da caminhada. Amigos, familiares e pessoas que se sensibilizaram com a tragédia.

“A cada amigo que eu encontrava, era um abraço e um suspiro de alivio por saber que eles estavam bem. Assim acontecia com todos, encontros de alivio por ver um ente querido bem e tristeza por saber que perdemos tantos outros”, conta.

Superação

Sallyanne Jaques disse que será difícil superar tantas perdas. Talvez nunca sejam superadas, pois a cidade perdeu muitos filhos, muitos amigos, pessoas que faziam parte do dia a dia, das festas, dos encontros em bares.

“A ferida está muito recente. Não consigo pensar em festas, futebol ou qualquer coisa do tipo pelos próximos, sei lá quantos meses. Vai ser e está sendo muito difícil seguir em frente, acordar de manhã, ir trabalhar, estudar, ir para a academia ou qualquer outro lugar. Não tenho vontade de sair da cama. Na verdade a única vontade é dormir e desejar que quando acordar eu possa ver que tudo não passou de um pesadelo terrível”, relata.

A estudante disse que a cidade de Santa Maria está se mostrando forte e capaz de unir forças.

“Que a justiça seja feita. Espero que com essa tragédia, outras sejam evitadas. Não sabemos qual é o propósito de Deus nisso, mas o que me resta é orar pelos que morreram e tentar ser forte para ajudar meus amigos. Quero continuar a apoiando às famílias. Agradeço a Deus pela segunda chance que Ele me deu e de estar viva,” finaliza a estudante.

Comentários

Charge


Flagrante


Boca no Trombone


Guia Comercial


Enquetes


Previsão do Tempo


Siga-nos:

Endereço: Av. Cardeal Eugênio Pacelli, 1996, Cidade Industrial
Contagem / MG - CEP: 32210-003
Telefone: (31) 2559-3888
E-mail: redacao@diariodecontagem.com.br