Data de publicação: 28-07-2014 00:00:00

No meio do caminho há 26 letras

Joel de Brito - Agulhas que Curam

Foto: Divulgação

Lecy Pereira Sousa

Se por um lado a “explosão” da Internet nos colocou em contato mais intimista com o hipertexto, por outro tem nos afastado progressivamente das formas canônicas de expressão literária.

Se eu perguntar se você gosta de ler, tal pergunta pode ser considerada ultrajante. Se você lê essa coluna, isso revela sua predisposição para ler não só esse texto, mas, quem sabe, o Diário de Contagem inteiro. Isso dependerá do que lhe motiva.

Pesquisas recentes feitas pelo Instituto Pró - Livro apontam um recrudescimento no número de leitores. Isso é assustador. O Século XXI chegou mais cheio de defeitos do que poderíamos imaginar. Estamos bem próximos da década de 20 e o Brasil possui 13 milhões de analfabetos por completo. São pessoas que, é possível, jamais folhearam um livro, uma revista, um jornal e nem conseguiram uma oportunidade de alfabetização. Os programas governamentais não suprem essa carência. Seria necessário um pacto nacional de todos os tipos de instituições sociais. Algo aparentemente impossível no Brasil, considerando os interesses políticos grupais ou individuais. Sempre haverá quem lucre com a ignorância alheia.

Se você sabe ler e escrever satisfatoriamente, então é o caso de agradecer a seus alfabetizadores todos os dias. Muitas pessoas, mas muitas pessoas, mesmo, não têm a sorte de encontrar alguém que se disponha a alfabetizá-las com zelo e dedicação. No entanto, sobram exploradores alfabetizados na escola do trambique.

É difícil fazer previsões sobre que tipo de bagagem cultural levará as gerações Y e Z. Diferente da Idade Média onde só os religiosos sabiam ler e escrever, vivemos num quarto de século em que, por mais que se derrame informações ou faça-se chegar livros a qualquer um que tenha acesso a World Wid Web (teia mundial), falta a grande parcela de internautas a tradicional paciência para dedicar-se à leitura progressiva de um arquivo de texto ou à audição de um livro falado. Por incrível que pareça, deficientes visuais costumam ser bem mais letrados que muitas pessoas dotadas de visão e audição perfeitas.

Que fique bem claro: se não houver um mínimo de prazer, boa vontade, foco, esforço, dedicação seja de quem ensina ou de quem aprende, qualquer texto não passará de um cântico inaudível aos sentidos indomáveis. Porém, contudo e todavia, há esperanças. Após o inverno sempre surge à primavera. Isso está escrito nas linhas do tempo.

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