Data de publicação: 04-12-2015 00:00:00

A termodinâmica do prazer: uma forma prática para alcançar a infelicidade

Joel de Brito - Agulhas que Curam
Foto: Internet/Reprodução
 
Se você deseja ser infeliz por toda existência, quer desgraçar a sua vida, a da sua família e a de terceiro, não quer jamais conhecer a verdadeira felicidade, então siga os passos abaixo:

1º Deseje algo;
2º Sinta prazer em conquistá-lo;
3º Tenha a sensação de que se tornou obsoleto;
4º Fique triste e abatido;
4º Deseje algo novo;
5º Caia num ciclo vicioso e sado-masoquista.

Quando você busca no mundo situações prazerosas, você nunca encontrará aquilo que supostamente te deixará pleno, simplesmente pelo fato de que o prazer nunca poderá te satisfazer. Quando você consegue comprar um celular que desejava muito, logo ele se torna um objeto obsoleto, sem graça, e um novo celular surge na sua frente induzindo-te a falsa ilusão de plenitude.

Quando você consegue namorar aquela pessoa que você achava fenomenal, logo vem à sensação de rotina, de paradeiro, e uma nova pessoal surge na sua vida prometendo-te a mesma ilusão de plenitude. Agora, generalize isso para roupas, sapatos, comidas, viagens, esportes, amizades, trabalhos, níveis de status e de poder aquisitivo... Você deseja ardentemente algo, sente prazer em conquistá-lo, mas logo sente um vazio no intimo por sabe que aquilo não te levou a felicidade.

 Se você cair nesse ciclo repetitivo e sado-masoquista, caro leitor, não se assuste em gozar com o próprio sofrimento, nem tampouco em causar sofrimento de forma sádica às pessoas a sua volta. Não se assuste se você tiver sentimentos de superioridade, de arrogância e prepotência, diante as pessoas que você considera inferior ao seu suposto nível hierárquico.

Não se assuste, também, de ter sentimentos de inferioridade, de invejar e de repulsa diante todas as pessoas que você considera superior ao seu suposto nível. Eu bem sei que você se sente muito contente quando as pessoas de níveis superiores ao seu caem, pois assim você tem uma falsa sensação de que está subindo na vida...

Troque de emprego, de família, de mulher, de marido, de amigos, de carro, de religião, de casa, de país, de esporte, que ainda assim o vazio existencial continuará latejando em sua alma! 

Por que você enjoa de um celular, de um carro ou de um relacionamento amoroso, mas não enjoa, da mesma forma, de tomar água e comer arroz e feijão todos os dias da semana ao longo do ano? Aqui está o grande segredo... Quanto mais você busca no prazer a razão, o fim último, de toda a sua existência, mais distante a felicidade se torna, pois a felicidade e o prazer não são sinônimos.

O auge do prazer é o próprio sofrimento, a sua contraparte, que sempre possui uma dinâmica repetitiva, assim como um disco arranhado, de natureza sádica e masoquista. Amor e ódio, prazer e dor, brigas e reconciliações, quente e frio, caos e ordem... Se você, caro leitor, quer ser infeliz por toda a vida, então vá em frente: deseje o mundo inteiro, passe por cima de tudo e de todos, agarre o prazer com unhas e dentes, tenha alguns momentos de prazer e continue infeliz.

Wasney Ferreira - psicólogo, mestre em linguística e doutorando em saúde pública pela UFMG.
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